Nossa Senhora de Lourdes e Santa Bernadete
A Virgem de Lourdes
realiza tantos milagros de cura que o dia 11 de fevereiro ( primeira aparição),
foi estalecido como o dia mundial dos Enfermos.
Infância
humilde e enferma de Bernardete, porém cheia de piedade.
(a palavra “pia”, quer dizer santa).
Santa Bernardete nasceu em 07 de janeiro de 1844 no pequeno povoado de Lourdes
nas Montanhas dos Pirineus Franceses. Recebeu o nome de Maria Bernarda (
consagrada a São Bernardo :
http://www.projetocrescer.net/, porém
desde pequena a chamavam pelo diminutivo de “Bernadete”.
O INICIO DAS APARIÇÕES
Quinta-feira, dia 11 de fevereiro de 1858, um
dia como outro qualquer. Eram 11 horas da manhã quando Bernadete observou que
tinha acabado a lenha. Seu pai estava deitado. Não tinha trabalho. Economizava
as forças para outro dia. 0 tempo não estava bom. Chuviscava e havia nevoeiro.
Logo apanhou a capa, chamou sua irmã Toinete e convidou Joana Abadie, uma moça
grande e forte, filha do pedreiro, para acompanha-las.
A mãe proibiu: "Bernadete, não".
Ela pensava no frio que fazia e que poderia
trazer conseqüências à asma de sua filha. Mas ela insistiu carinhosamente,
dizendo-lhe que teria cuidado, que iria com o capuz branco e o chale. A mãe
concordou.
Saem as três meninas no afã de cumprirem a
tarefa, passam pela pradaria do Paraíso, a ponte do canal que movimenta o moinho
Savy, entram na pradaria do senhor La Fitte e chegam na ponta de areia do rio
Gave. À esquerda levanta-se uma rocha íngreme com uma gruta na base. É
Massabieille . Embora é chamada de gruta, na verdade ela é constituída de uma
acentuada concavidade na rocha. A água do canal que movimenta os moinhos,
banha-lhe o lado esquerdo e segue em direção ao Gave. Joana joga os ossos para o
outro lado e passa pelo canal com o pequeno feixe de lenha na cabeça. Toinete,
faz a mesma coisa, levando a lenha na mão. Como do outro lado as duas se
manifestaram dizendo que a água do canal estava muito gelada, Bernadete
permaneceu ali, sem saber o que fazer, com receios de pisar na água fria, por
causa da asma, lembrando-se das recomendações de sua mãe.
Enquanto as duas corriam pela praia do Gave
apanhando lenha e ossos, ela depois de procurar sem êxito, um lugar melhor para
atravessar, sentou-se na margem do canal, em frente à gruta, tirou uma das meias
e preparava-se para tirar a meia do outro pé, quando de repente, ouviu um
barulho, "como se fosse um pé de vento". Não vê nada. Olhou para trás e observou
que as folhagens dos arvoredos não se mexiam.
Seguiu-se
uma "luz suave" que iluminou profusamente todo aquele lugar sombrio e no meio
dela, surge uma SENHORA maravilhosa, com idade de 16 a 18 anos, vestida de
branco . Abre os braços num gesto de acolhimento, como se estivesse convidando-a
à aproximar-se. Ela fica espantada. É como se tivesse medo, "não para fugir
explica melhor, mas pela emoção do inusitado e adorável encontro". Esfregou os
olhos diversas vezes, para inteirar-se que não era um sonho e que realmente
estava diante de uma visão encantadora, que lhe sorria afetuosamente.
Então conta, Bernadete:
- "Meti a mão no bolso e encontrei o terço.
Queria fazer o Sinal da Cruz, mas não pude levar a mão à testa. A mão caiu-me. 0
espanto apossou-se de mim mais fortemente, a minha mão tremia. A visão fez o
Sinal da Cruz. Então tentei a segunda vez. E pude. Logo que fiz o Sinal da Cruz,
a grande comoção que sentia desapareceu. Pus-me de joelhos e rezei o terço na
presença dessa linda Senhora. A Visão fazia passar as contas do Seu Terço com os
dedos, mas não mexia os lábios. Quando acabei o terço, ELA fez um sinal para
aproximar-me. Mas não ousei. Então desapareceu de repente".
Depois do extraordinário acontecimento,
Bernadete sentiu uma imensa felicidade que envolveu completamente a sua alma de
uma deliciosa satisfação que lhe tirava todas as forças, para qualquer
iniciativa.
Atravessou o regato sem dificuldades, as
águas estavam ligeiramente "aquecidas". Sentou-se numa das grandes pedras que se
encontravam na entrada da gruta e permaneceu silenciosa e pensativa.
Voltam suas companheiras com uma boa provisão
de lenha e de ossos e começam a dançar e pular na entrada da gruta, para
comemorar o êxito da missão.
Não gostando de vê-las assim, para distrai-las
pergunta:
- "Não viram nada"?
- "E tu, que é que viste"?
Ela compreende o mistério que acabava de
acontecer e sente que terá que guardar este segredo, e por isso muda de assunto:
- "Sois umas trocistas. Disseram que a água do
canal estava fria, achei-a agradável, estava morna".
Toinete e Joana não a levaram a sério, porque
quando atravessaram o canal, a água estava tão gelada, que do outro lado tiveram
que esfregar os pés, fazendo massagem para aquecê-los.
Bernadete
sentindo necessidade de falar, de contar aquela maravilhosa experiência, em duas
palavras narra tudo a Toinete. Mas a irmã não acredita e pensa que
Bernadete está querendo incutir-lhe medo. Pega
a lenha e os ossos e também acelera o passo para casa.
Mas o caso dá para pensar, porque o acontecido
é por demais singular. Toinete apesar de ter prometido, em casa, na primeira
oportunidade, "bate com a língua nos dentes" e conta tudo à sua mãe. Luisa fica
assustada "e quer saber toda história e muito direitinho", por isso convoca a
filha. Entre o susto e o medo, ela quase nada falou. Sua mãe a repreende por tal
comportamento e o pai, que ainda estava deitado, acrescenta que não quer os
olhares dos outros caçoando de ninguém da família.
À noite, na hora das orações, chorou muito,
estava bastante comovida com tudo o que lhe havia acontecido. Sua mãe faz-lhe
outras perguntas, mas ela nada respondeu.
Entretanto, no dia seguinte ela sente-se
atraída a voltar à gruta. A mãe não lhe deixa e imperiosamente ordena: "Para o
trabalho". Ela obedece.
Na tarde de sábado, dia 13, decide ir
confessar-se. Conta tudo ao padre Pomian, que silenciosamente ouviu o
depoimento. Depois perguntou-lhe, se podia contar ao Abade Peyramale. Ela
consentiu.
No domingo, dia 14 de fevereiro, depois da
Missa, as suas colegas resolvem ir a sua casa, pedir consentimento para que ela
voltasse à Massabieille pois desejavam ver também o que ela tinha visto. A mãe
não permitiu. Todavia depois de muita insistência das meninas, mandou que
conversassem com o pai, que estava tratando dos cavalos de João Maria Cazenave.
Com muito jeito conseguiram autorização para
se ausentarem somente por um tempo de 15 minutos. E como tinham receios de ser
alguma aparição maldosa, decidiram levar um frasco com água benta. Dividíram-se
em dois grupos e foram para a gruta.
Ela chegando primeiro com o seu grupo,
ajoelhou-se e começou a rezar o terço, enquanto as suas companheiras ficaram de
pé ao seu lado.
Na segunda
dezena sua face mudou. Seus olhos brilharam fortemente e ela falou para as
colegas:
NOSSA SENHORA APARECE COM O TERÇO
- "Hei-la! 0 terço está no braço... ELA olha
para nos".
As companheiras não viram nada. Rapidamente
Bernadete apanha o frasco com água benta que estava nas mãos de Maria Hillo e
asperge com vigor na direção do vulto, ao mesmo tempo em que o esconjurava:
- "Se vem da parte de Deus, fique, se não,
pode ir embora"
Afirmou posteriormente:
- "Quanto mais eu a regava, mais Ela sorria
e gastei todo o frasco".
A seguir entrou em êxtase. Empalidece, não
ouve mais o que as outras dizem. As amigas assustadas observam as suas reações.
Suas companheiras acabaram por ficar
preocupadas e por isso chamaram Nicolau, o moleiro do moinho de Savy, para
retirá-la dali. Mas não foi fácil, porque parecia que ela tinha uma barra de
ferro amarrada ao corpo, porque o seu peso aumentou consideravelmente; com muito
esforço transportou-a nos braços pelo caminho, enquanto ela mantinha um sorriso
nos lábios e os olhos fixos num ponto do Céu.
As meninas foram para as suas casas e as
notícias chegaram até Lourdes.
AS
MANIFESTAÇÕES CONTINUAM
- Segunda-feira dia 15, foi um dia terrível
porque além de sofrer críticas, suas colegas caçoaram dela.
Mas houve pessoas que se interessaram pelo
caso da gruta como Madame de Millet. Decidida a conhecer a verdade, Madame de
Millet conquistou Luisa, mãe de Bernadete, dando-lhe trabalho e convenceu-a
deixar sua filha voltar à gruta, em sua companhia. As 5 horas da manhã de
quinta-feira, 18 de fevereiro de 1858, Madame de Millet em companhia de
Antonieta Peyret encontraram-se com Bernadete, que ainda estava dormindo. Depois
participaram da primeira Missa e desceram para a gruta.Antonieta levou consigo
caneta e tinteiro do pai, e também papel, para a Visão escrever o seu nome.
Mal começaram a rezar o terço, a vidente
murmurou:
- "ELA aí está"!
Terminado o terço, Antonieta entrega-lhe a
caneta e o papel. Inocentemente Maria Bernarda leva aqueles instrumentos em
direção à Aparição e lhe faz a solicitação combinada:
- "Quer ter a bondade de escrever o seu nome"?
A Aparição aproximou-se dela, passando por uma fenda no nicho e da conversa de
ambas, nunca se soube nada.
Mais tarde ela contou que, sorrindo, a
Aparição lhe disse "que não era preciso escrever" e pediu-lhe que voltasse ali:
- " Quer ter a amabilidade de vir aqui
durante 15 dias"?
Foi a primeira vez que ouviu a maravilhosa voz
da SENHORA, e consentiu imediatamente em voltar à gruta para encontrá-la.
Foi nesta mesma ocasião que a Visão lhe falou:
- "Não prometo tornar-te feliz neste
mundo, mas no outro".
No caminho de volta, pensativa Madame de
Millet interrogou :
- "E se fosse a Santíssima Virgem Maria"?
As noticias espalharam-se. São formuladas as
mais diversas hipóteses sobre o que vai acontecer durante a quinzena de
Aparições. A expectativa é coletiva.
Depois da Aparição do domingo, dia 21, o
comissário Jacomet, levou-a para um minucioso interrogatório no qual
certificou-se da simplicidade e da sinceridade da menina e ficou sabendo de
outros detalhes da Aparição, apesar de intencionalmente querer confundi-la e
forçá-la a não voltar à gruta.Ela contou assim:
- "A SENHORA usava um vestido branco, apertado
na cintura por uma fita azul, um véu branco na cabeça que descia até a altura do
busto. 0 vestido era longo e cobria os pés, deixando aparecer só as
extremidades, com uma rosa amarela em cada pé, da mesma cor da corrente do terço
que trazia na mão direita. Olhava com suavidade e tinha os olhos completamente
azuis".
0 interrogatório terminou quando populares
conseguiram colocar o pai Francisco Soubirous na sala do Comissário para
proteger a filha.
Na quarta-feira, dia 24, a quantidade de
pessoas era maior e já ofereceu uma certa dificuldade para ela chegar ao seu
local na entrada da gruta. Haviam cerca de 300 pessoas ávidas de presenciarem
algum fato novo. Algumas eram curiosas, mas a maior parte estava postada
respeitosamente, em contrita oração, na certeza de que estavam na presença da
Mãe de Deus.
Terminada a reza do terço, Bernadete avançou
dois passos, arrastando-se de joelhos e prostrando-se com a face na terra
beija-a atendendo ao pedido da Aparição, num gesto de penitência. 0 povo não
entendeu. Mas depois ela explicou que a Aparição tinha falado uma palavra nova:
- "Penitência, Penitência, Penitência!
Rezem a Deus pela conversão dos pecadores. Vai beijar a terra em penitência
pelos pecadores".
No dia seguinte, a movimentação ao redor de
Massabieille começou cedo. Desde as duas horas da manhã as pessoas procuravam
localizarem-se nos melhoras lugares.
No momento em que Maria Bernarda chegou, havia
mais de 350 pessoas. Como de costume, rezou o terço em êxtase, depois entregou a
Eléonore Pérard, que estava a seu lado, a vela acesa que sempre levou nos seus
encontros com a Aparição, dando-lhe também seu capuz. A seguir, sobe de joelhos
a pequena declividade até o fundo da gruta. De trecho em trecho faz uma parada e
beija o chão. Bem em baixo do nicho, onde encontrava-se a Visão, para e
conversam.
A FONTE MILAGROSA
A seguir arrasta-se de joelhos até o rio Gave.
Lá, qualquer coisa a detém e ela volta, agora de pé, para o interior da gruta.
Abaixa-se e arranha o chão com as mãos e depois cava, como se quisesse fazer um
buraco. 0 orifício encheu-se de lama que ela recolhe e passa no rosto e come
ervas de folhas que cresceram no fundo da gruta. Terminada a Aparição, volta com
o rosto todo lambuzado de barro, causando de certa forma, consternação ao
público.
A todos que lhe perguntava explicou:
- "A SENHORA mandou eu beber água na fonte
e lavar-me nela. Não vendo água, fui ao Gave. Mas ELA fez-me sinal com o
dedo para ir debaixo da rocha. Depois de cavar, encontrei um pouco de água como
se fosse lama, tão pouca que apenas pude tomar alguma na cova da mão. Três vezes
a joguei fora, de tal modo estava suja. Na quarta vez pude beber. Depois recolhi
e comi um pouco de ervas. ELA pediu-me que fizesse isto pelos pecadores".
QUANTO MAIS TENTAM BEBER A AGUA, COM MAIS
FORÇA JORRA DA FONTE
A tarde, algumas pessoas voltaram à gruta e
entre elas Elèonore Pérard. Observaram o buraco que Bernadete cavou, estava uma
poça de água lamacenta. No meio dela Eléonore espetou um pau. Apercebeu o
ruído da água que corria. Algumas pessoas tentam bebê-la: a água jorra com
mais força e vai ficando mais clara, à medida que cavam para recolhê-la. Começam
então a compreender a mensagem: "uma fonte de água que lavará a alma suja dos
pecadores, dos que se arrependem de seus desacertos, daqueles que têm fé em
Deus, produzindo o milagre da conversão e da cura dos males".
(“Se o coração abrir águas vivas do
interior irão fluir”Joã 7, 37s)
A notícia espalhou-se. Todos querem beber da
água da fonte que brotou no terreno árido do fundo da gruta. Outros a recolhem e
levam para seus parentes necessitados. Muitos comentários surgiram e as noticias
de curas ouve-se por todas as partes.
Neste mesmo dia é interrogada pelo Procurador
Imperial, senhor Dutour, que a exemplo de Jacomet, tentou por todos os meios
dissuadi-la a não voltar à gruta, dizendo que aquilo era ilusão . Tudo em vão,
permaneceu tranqüila ao lado de sua mãe e até achou momentos para rir, quando o
senhor Dutour mostrando-se nervoso, com a caneta na mão não achava o buraco do
tinteiro.
Em face do interrogatório, Bernadete
responsavelmente antes de tomar qualquer iniciativa foi ouvir a opinião de seus
parentes sobre a proibição imposta pelo senhor Dutour de voltar à Massabieille.
Sua tia Bernarda falou:
- "Eu no seu lugar ia"!
Sem dizer uma palavra, apanhou seu capuz e
seguiu para a gruta. Lá encontravam-se mais de 600 pessoas. Foi rezado o terço e
feito alguns exercícios de penitência, mas a SENHORA, não veio.
No dia 27 de fevereiro quando chegou na gruta a
SENHORA já estava lá esperando por ela.
No dia 28 mais de 1.150 pessoas presenciaram
diversas práticas de penitência e a reza do terço em êxtase. É como dizia:
- "É por
penitência, por mim primeiro, pelos outros depois" .
No dia seguinte, segunda-feira, 1º de março, a
multidão foi calculada em 1.500 criaturas e viam-se pessoas de todas as classes.
Para a curiosidade geral, desponta entre elas a batina preta do Padre Dêsirat.
Ele não é de Lourdes e não sabe da proibição imposta ao clero pelo Abade
Peyramale . Sua presença causa sensação e em poucos momentos vê-se na primeira
fila, com sua miopia compensada por óculos de grossas lentes, numa posição bem
próxima da vidente. A descrição que ele faz dos fatos diz tudo:
"0 sorriso
ultrapassa toda a expressão humana. 0 artista mais hábil, o ator mais consumado,
nunca poderá reproduzir-lhe o encanto e a graça! Impossível imaginar. 0 que mais
me tocou foi a alegria e a tristeza que se lhe desenhavam no rosto. Quando um
destes fenômenos sucedia ao outro, era com a rapidez do relâmpago. No entanto
nada de brusco: uma transição admirável. Eu tinha observado a criança quando ela
chegou e se dirigia à gruta. Tinha-a observado com escrupuloso cuidado. Que
diferença entre o que ela era e o que eu vi no momento da Aparição! Respeito,
silêncio, recolhimento por toda a parte. Óh, como era bom estar lá! Eu
julgava-me no vestíbulo do Paraíso". (Padre
Dêsirat)
Foi também neste mesmo dia, quando ocorreu a
12ªAparição que aconteceu o primeiro dos sete milagres escolhidos pelo Bispo e
considerado realmente como "Obra de Deus".
PRIMEIRO MILAGRE
"Catarina Latapié, proveniente de uma queda de
um carvalho, na qual subira para tirar bolotas para os porcos, teve o braço
deslocado e dois dedos da mão direita dobrados e paralisados. 0 fato aconteceu
em outubro de 1856 e o médico só conseguiu consertar o seu braço, mas os dedos
não tiveram jeito. E isto a impedia de fazer o seu trabalho, não a deixava
tricotar e nem fiar, estava sendo a sua ruína. Apesar de encontrar-se grávida
de 9 meses, saiu a pé de sua casa na noite do dia 28 de fevereiro, para
Lourdes, distante 7 quilômetros, levando os seus dois filhos mais novos.
Assiste a Aparição do dia 1º de março e faz fervorosas preces a Deus por
intercessão de Nossa Senhora, pedindo a sua cura. Terminada a aparição, sobe
até o fundo da gruta e mergulha a mão na fonte que tinha formado, cujas águas
deslizavam mansamente formando um pequeno regato que corria para o Gave. Um
estremecimento acompanhado de uma grande suavidade invadiu todo o seu ser. Ela
sentiu de repente, voltar a flexibilidade aos seus dedos. Vibrou de alegria
e chorou de satisfação. Emocionada iniciou os seus agradecimentos pela graça
alcançada, quando subitamente sente uma violenta dor nas entranhas, como
prenúncio do próximo nascimento de mais um filho. Num gesto ligeiro e contrito,
ajoelha-se e com as mãos postas suplica:
- "Virgem Santa,
Vós que acabais de me curar, deixai-me chegar em casa"!
Levantou-se, pegou nas mãos de seus filhos e
seguiu para sua casa em Loubajac. Assim que chegou, mal teve tempo de chamar a
parteira, deu à luz um sadio garoto que recebeu o nome de João Batista e que
mais tarde tornou-se sacerdote".
No dia 2 de março, eram mais de 1.650 pessoas
em Massabieille. Com maior dificuldade Bernadete chegou ao "seu local". A
Aparição disse:
NOSSA SENHORA PEDE A CONSTRUÇÃO DE UMA CAPELA
- "Vai dizer aos
sacerdotes que venham aqui em procissão e construam uma Capela".
Por essa razão, mais tarde em companhia das
tias Bernarda e Basília , foram encontrar-se com o Abade Peyramale, para
levar-lhe a notícia.
0 Senhor Abade era um homem severo, de caráter
íntegro e muito exigente na observância do direito e da ordem. Já tinha ouvido
os comentários sobre Bernadete e as Aparições na gruta, assim como as notícias
de curas e os comentários maldosos do jornal local. Não se decidira sobre os
fatos, mesmo porque não dispunha de elementos que lhe oferecesse condições de
optar. Intimamente aceitava com simpatia a possibilidade da Aparição ser
verídica, em face dos muitos comentários favoráveis. Mas na sua posição, não
podia considerar comentários e nem indícios, era preciso haver alguma coisa
sólida, que se mostrasse de modo concreto, para que pudesse apreciar os
acontecimentos. E apesar de possuir um coração bondoso e paternal, o momento
exigia que procedesse com cautela, até com rudeza, se fosse necessário, para
deixar aparecer a verdade transparente, perguntou a Bernadete:
- "És tu que vais à gruta"?
- "Sim, Senhor Abade".
- "E dizes que vês a Santíssima Virgem"?
- "Eu não disse que era a Santíssima Virgem".
- "Então quem é essa Senhora"?
- "Eu não sei".
- "Ah, tu não sabes! Mentirosa! E no entanto
esses que fazes correr atrás de ti dizem e o jornal imprime, que tu pretendes
ver a Santíssima Virgem. Então o que é que tu vês"?
- "Qualquer coisa que parece uma Senhora".
- "Ora essa! Uma Senhora! Uma procissão"
Aborrecido olha para as duas
tias que a acompanha e lembra-se que elas conceberam antes de se casarem, e
desabafa:
- "Que desgraça ter uma família destas que faz
a desordem na cidade! Desapareçam daqui imediatamente"!
As três saíram o mais depressa que puderam e
imaginem o tamanho do "apuro"... Disse Bernadete:
- "Não me apanham mais a vir à casa do Senhor
Abade" !
Mas, logo que
caminharam alguns passos, lembrou-se que não tinha transmitido toda a mensagem
ao Senhor Abade. Esquecera-se de falar na "Capela". Quis voltar, mas as tias
protestaram:
- "Não contes comigo! Tu põe-nos doentes"!
Depois de muito procurar, conseguiu que
Dominiquette Cazenave a acompanhasse. Marcaram uma entrevista para às 19 horas.
Estavam lá além do Abade Peyramale os Padres Péne, Serres e Pomian (o confessor
dela). Transmite a segunda parte do recado:
- "Vai dizer aos
sacerdotes para construírem aqui uma Capela".
- "Uma Capela? Como para a procissão? Estás
certa disso" ?
-"Sim, senhor Abade, estou certa".
- "Ainda não sabes como ela se chama"?
- "Não , Senhor Abade".
- "Pois bem, é preciso perguntar-lhe".
Depois de responder mais algumas perguntas dos
outros padres, despediu-se, e com sua acompanhante voltou para casa.
No dia seguinte mais de 3.000 pessoas a
aguardavam na gruta. A multidão rezava ansiosa desde muito cedo. Mas a Visão não
apareceu. E como nos dias 22 e 26 de fevereiro, regressou perturbada.
Todavia, neste mesmo dia, mais a tarde, voltou
à gruta e desta vez encontrou-se com a Visão.
Ao regressar à cidade, foi conversar com
Peyramale:
_ "Senhor Abade,
a Senhora sempre quer a Capela ".
- "Perguntaste-lhe o nome"?
_ "Sim, mas ela
apenas sorriu".
- "Troça valentemente de ti". - Faz uma pausa e
depois diz: - "Pois bem, se ela quer a Capela que diga o seu nome e faça
florir a roseira da gruta. E então nós mandaremos construir uma Capela e não
será muito pequena, será muito grande".
0 dia 4 de março era aguardado com grande
expectativa porque era o último da quinzena de aparições. A polícia pediu
reforço policial de d'Argelès e de Saint Pé, cidades vizinhas de Lourdes, para
ajudar na manutenção da ordem, no sentido de evitar qualquer excesso. A
estimativa era para mais de 8.000 pessoas ao redor da gruta. Para que Bernadete,
pudesse chegar ao local, fizeram uma passarela de madeira, que lhe facilitou o
acesso. Ela veio acompanhada de sua prima Joana Véderè, que tinha 30 anos de
idade e ficaram juntas perante a Aparição.
Ajoelharam e começaram a rezar o terço. Quando
iniciavam a terceira Ave Maria da segunda dezena, entrou em êxtase.
0 comissário Jacomet tirou o seu caderninho de
Notas e escreveu "34" sorrisos e "24" saudações em direção a gruta.
A multidão com o olhar acompanhava tudo e apreciava a beleza do Sinal da Cruz
que ela fazia. Terminada a Aparição, apagou a vela e, indiferente a presença de
toda aquela gente, tomou o caminho de sua casa.
Muitos ficaram desapontados e perplexos, porque
esperavam algum milagre ou alguma revelação. Não aconteceu nada, visualmente. No
ar ficaram muitas perguntas e uma grande expectativa: será que terminaram as
Aparições?
Maria Bernarda foi encontrar-se, com o Senhor
Abade e dar-lhe notícias do "encontro".
- "Que te disse a Senhora"?
- "Perguntei-lhe
o nome... Ela sorriu. Pedi-lhe para fazer florir a roseira, ela sorriu outra
vez. Mas ainda quer a Capela".
- "Tu tem dinheiro para fazer essa Capela"?
- "Não, Senhor Abade".
- "Eu também não . Diz à Senhora que lhe dê".
Peyramale estava desconsolado por não ter
obtido nenhuma informação segura, sobre a Aparição. Ela também, mas sem poder
fazer nada, voltou triste para casa.
NOVO INTERROGATÓRIO
No dia 18 de março é submetida a um severo
interrogatório e declara:
- "Não penso ter curado quem quer que seja e de
resto não fiz nada para isso. Não sei se voltarei à gruta".
Mas independentemente das aparições continuarem
ou não, a afluência era cada vez maior. Diariamente muitas pessoas iam lá
para rezar, para recolher água da fonte ou para bebê-la. Todos acreditavam
que quem esteve lá foi a Santíssima Virgem. As velas multiplicavam-se no dia 18
eram 10 ; no dia 19 havia 21 velas; já no dia 23, colocaram no nicho das
aparições, uma imagem de gesso da Virgem Maria, doada por um senhor, Felix
Maransin
Do dia 4 de março quando ocorreu a última
aparição, ou seja a 15º, até o dia 25 do mesmo mês, Bernadete procurava levar
uma vida normal, ao lado de seus familiares no "cachot". Mas foi impossível,
porque era solicitada para interrogatórios, por visitantes que faziam filas
intermináveis à porta de sua casa, querendo conversar, abraça-la e pedir-lhe que
tocasse com as mãos em objetos que levavam. Eram pessoas que buscavam graças e
outras que vinham contar milagres alcançados pela bondade e o carinho
intercessor de Nossa Senhora.
Não tinha mais sossego. As vezes quase perdia a
paciência:
- "Tragam-me todos ao mesmo tempo".
De outras vezes, cansada, precisando de
repouso. queria isolar-se:
- "Fechem a porta à chave"!
E jamais aceitou
e não deixou que nenhum de seus familiares aceitassem gratificações em dinheiro
ou presentes, por qualquer razão que fosse:
- "Isso
queima-me! Por favor, não façam isso"!
Quando perguntavam-lhe se a SENHORA voltaria,
simplesmente dizia que não sabia. Só podia afirmar que ELA queria sempre uma
Capela e que os sacerdotes fossem em procissão à gruta.
A
IMACULADA CONCEIÇÃO
Na manhã do dia
25 de Março de 1858, Bernadete sentiu-se novamente 'pressionada' para ir à gruta.
Era uma força estranha que nascia em seu interior, que não sabia explicar. Mas
era muito cedo e seus pais lhe aconselharam esperar o dia clarear. Às 5 horas da
manhã já pôs-se a caminho.Depois de rezar o terço em êxtase, levantou-se e
caminhou em direção à Aparição e conversaram:
- 'Mademoiselle,
quer ter a bondade de me dizer quem és, se faz o favor'?
A SENHORA, sorriu
e não respondeu.
Ela insiste na
solicitação, a segunda e a terceira vez, obtendo como respostas um sorriso
carinhoso e modesto da Visão.
Mas Bernadete
tinha a necessidade de saber o nome DELA, precisava levar esta notícia ao Senhor
Abade, porque caso contrário, ele não construiria a Capela. Por isso, com mais
amor e decisão insistiu uma quarta vez suplicando que ELA dissesse o seu nome.
Desta vez a
Aparição não sorriu mais, ficou séria. As mãos que estavam unidas afastaram-se
estendendo sobre a terra e depois novamente juntas à altura do peito, levantou
os olhos ao Céu em sinal de profunda humildade e obediência a Deus e disse:
- 'EU SOU A
IMACULADA CONCEIÇÃO', dito isto, desapareceu.
Bernadete
retornou a si e para não se esquecer das palavras, repetiu-as várias vezes em
seguida, tropeçando nas letras que mal sabia pronunciar. Fugiu das perguntas de
todos e correu para a casa do Senhor Abade Peyramale. Lá chegando, antes mesmo
de cumprimentá-lo gritou:
- ' Que soy era
Immaculada Councepciou' (no seu dialeto patois de Lourdes) 'Eu sou a
Imaculada Conceição'.
La Inmaculada
Concepción de María es el dogma de fe que declara que
por una gracia
especial de Dios, ella fue preservada de todo pecado desde su concepción.
Como
demostraremos, esta doctrina es de origen apostólico, aunque el
dogma fue proclamado por el Papa Pío IX el 8 de diciembre de 1854, en su
bula Ineffabilis Deus.
|
"...declaramos,
proclamamos y definimos que la doctrina que sostiene que la beatísima Virgen
María fue preservada inmune de toda mancha de la culpa original en el primer
instante de su concepción por singular gracia y privilegio de Dios
omnipotente, en atención a los méritos de Cristo Jesús Salvador del género
humano, está revelada por Dios y debe ser por tanto firme y constantemente
creída por todos los fieles..."
(Pío IX, Bula Ineffabilis Deus, 8 de diciembre de 1854) |
La
Concepción: Es el
momento en el cual Dios crea el alma y la infunde en la materia orgánica
procedente de los padres. La concepción es el momento en que comienza la vida
humana.
-María
quedó preservada de toda carencia de gracia santificante desde que fue concebida
en el vientre de su madre Santa Ana. Es decir María es la "llena de gracia"
desde su concepción. Cuando hablamos de la Inmaculada Concepción no se
trata de la concepción de Jesús quién, claro está, también fue concebido sin
pecado.
Fundamento Bíblico
El primer
pasaje que contiene la promesa de la redención (Genesis 3:15) menciona a
la Madre del Redentor. Es el llamado Proto-evangelium, donde Dios declara
la enemistad entre la serpiente y la Mujer. Cristo, la semilla de la mujer (María)
aplastará la cabeza de la serpiente. Ella será exaltada a la gracia santificante
que el hombre había perdido por el pecado. Solo el hecho de que María se mantuvo
en estado de gracia puede explicar que continúe la enemistad entre ella y la
serpiente. El Proto-evangelium, por lo tanto, contiene una promesa directa de
que vendrá un redentor. Junto a El se manifestará su obra maestra: La
preservación perfecta de todo pecado de su Madre Virginal.
En
Lucas 1:28 el ángel Gabriel enviado por Dios le dice a la Santísima Virgen
María «Alégrate, llena de gracia, el Señor está contigo.». Las palabras
en español "Llena de gracia" no hace justicia al texto griego original que es "kecharitomene"
y significa una singular abundancia de gracia, un estado sobrenatural del alma
en unión con Dios. Aunque este pasaje no "prueba" la Inmaculada Concepción de
María si lo sugiere.
0 Abade ficou
perplexo. Não sabia se sorria ou ocultava o seu júbilo, procurando num último
esforço, certificar-se do óbvio:
- 'Pequena
orgulhosa, tu és a Imaculada Conceição'!
- 'Não, não, não
eu'.
Peyramale sente
que está diante de uma grande revelação: 'A Virgem é concebida sem pecado'.
Apesar de ter
sido decretado em 8 de dezembro de 1854 , o Dógma da Imaculada Conceição de
Maria não era aceito por todos os católicos, principalmente por alguns teólogos
que defendiam a universalidade da redenção e do Pecado Original. Isto é,
atribuíam a Nossa Senhora o mesmo privilégio que teve João Batista, de ter a
santificação antes do nascimento . Mas não aceitavam a imunidade do Pecado,
isto é, não aceitavam que
Maria Santíssima fosse preservada do Pecado Original, mesmo considerando a sua
condição especial de Mãe do Redentor.
Por este motivo o
Abade explodia intimamente de satisfação e se preocupava em saber da realidade.
Pela santíssima vontade de Deus, a partir daquele momento Nossa Senhora deixava
realçar com todo brilho, a sua grandeza notável e ilimitada, porque ELA própria
confirmava que teve uma Conceição Imaculada. Por isso Peyramale se debatia:
- 'Uma Senhora
não pode usar esse nome! Tu enganaste sabes o que isso quer dizer'?
Maria Bernarda
diz que não, abanando a cabeça.
- 'Então como
podes dizê-lo, se não compreendes o que é'?
- 'Repeti todo o
caminho'.
No silêncio que
se seguiu, Peyramale ficou pensativo com um suave sorriso nos lábios. Bernadete
interrompe o silêncio e diz:
- 'ELA sempre
quer a Capela'...
0 Abade no íntimo
deve ter respondido que não só uma Capela, mas uma monumental Basílica. A partir
daquele momento a SENHORA estava dispensada de fazer qualquer milagre, de fazer
florir a roseira selvagem da gruta. Era ELA, a Mãe de Deus, a Nossa Querida Mãe
que veio visitar-nos com o objetivo de revelar-nos um grande mistério divino e
pedir penitência ao mundo, para que todos rezassem pela conversão dos pecadores
e tivessem uma conduta responsável e digna. Peyramale estava emocionado. Tentava
esconder sua alegria e por isso, para salvar as aparências, falou com ela:
- 'Vai para casa,
falaremos outro dia'.
Os dias passaram
e o clero com muita alegria e vibração comemorou a revelação do grande mistério.
NOVO SINAL DE
NOSSA SENHORA
Dia 6 de abril
Bernadete, sentiu-se novamente 'pressionada' para voltar à gruta. Aquela força
estranha e agradável a impulsionava para Massabieille. Como já havia passado das
15 horas, foi encontrar-se com o Padre Pomian no confessionário. Algumas pessoas
que a observava, se incumbiram de espalhar os boatos. A cidade ficou na
expectativa de algum acontecimento.
No dia seguinte,
quarta-feira da Páscoa, antes do sol nascer já encontrava-se na gruta,
acompanhada inicialmente por uma centena de pessoas que logo aumentou para
1.000, quando iniciou a reza do terço.
Nas primeiras AVE
MARIA da primeira dezena, entrou em êxtase. 0 Doutor Dozous, que vinha estudando
o seu caso, surge no meio da multidão pedindo passagem, pois queria estar ao
lado dela, para presenciar suas reações fisionômicas. E abrindo passagem entre o
povo que contritamente rezava dizia:
- 'Não venho como
inimigo, mas em nome da ciência. Corri e não posso me expor às correntes de ar.
Só eu posso verificar o fato religioso que aqui se dá, deixem-me prosseguir este
estudo'.
Neste dia, ela
utilizava uma grande vela que se apoiava no chão. Foi fornecida por uma pessoa que tinha alcançado uma graça.
Com sua mão tentava proteger a chama da vela, da corrente de ar. Mas no transe
em que se encontrava, não posicionou corretamente a mão esquerda em forma de
concha sobre o pavio aceso, de modo que a chama da vela passava por entre os
seus dedos.
- 'Mas ela
queima-se' - gritaram da multidão.
- 'Deixe estar' -
pediu Dozous.
Ele não
acreditava naquilo que seus olhos viam, os sorrisos de Bernadete, os Sinais da
Cruz, feitos com tanta graça , sua fisionomia séria em vários momentos
compartilhando duma tristeza da Visão e a chama da vela que passava por entre
seus dedos, sem queimá-los, sem provocar dores.
Terminado o
êxtase, examinou as mãos da vidente e não encontrou o menor sinal de queimadura.
Para testar a sua sensibilidade, acendeu a vela e sem que ela percebesse,
aproximou a chama de sua mão. Ela gritou e protestou: 'Está querendo me
queimar'? Dozous, homem de atitudes extremas, viu crescer repentinamente em
seu coração uma fé gigantesca. Da mesma forma que seu caráter explosivo o levava
muitas vezes a defender suas convicções abertamente e com decisão, espalhou a
novidade com disposição, convencido que estava diante do sobrenatural na gruta
de Massabieille.
No 'Café Francês'
que era o ponto de convergência para os 'bate-papos' também para os 'mexericos',
Dozous proclamou com segurança e fartos argumentos, a existência do
extraordinário em Lourdes. Em dado momento, ele assim expressou-se:
- 'É um fato
sobrenatural para mim, ver Bernadete ajoelhada diante da gruta, em êxtase,
segurando uma vela acesa e cobrindo a chama com a mão esquerda, sem que pareça
sentir a mínima impressão do contato com o fogo. Examinei-a. Não encontrei nem o
mais ligeiro sinal de queimadura' .
Mas continuava a
existir também os descrentes, aqueles que não aceitavam os fatos e caçoavam dos
freqüentadores da gruta. Eles atuaram sobre os administradores pedindo
providências contra 'aquilo' que chamavam de 'palhaçada'. 0 Prefeito resolveu
proibir o acesso a gruta. Mandou retirar todos os objetos religiosos que tinham
sido colocados lá.
Os pais e amigos
de Bernadete, para evitar complicações, a enviaram para Cauterets, a titulo de
tratar de sua asma. Contudo a sua ausência em nada influiu no fervor das almas
piedosas, que se manifestavam claramente e todos os dias. Eram organizadas
procissões, cânticos e orações com a maior participação possível. Por outro
lado, alguns procuravam dotar a gruta de certo conforto, colocando na fonte de
água um bacia com três torneiras, para facilitar a utilização. Pedreiros,
carpinteiros e funileiros trabalhavam gratuitamente e com desprendimento,
melhorando o acesso, colocando uma tábua furada para receber as velas,
empregando os seus esforços com o objetivo de tornar a gruta um recanto
aprazível de devoção mariana.
As autoridades
vendo que não conseguiam nem acabar e nem diminuir a freqüência das visitas à
gruta, decidem fechá-la. No dia 15 de junho o Prefeito mandou fazer uma barreira
constituída por uma paliçada de madeira, que isolava a área da gruta.
O povo, no dia
17, destruiu a paliçada. As barreiras são reconstruídas no dia 18 e são
demolidas pelo povo na noite do dia 27. Tornam a serem reconstruídas no dia 28
de junho, para novamente serem demolidas na noite do dia 4 de julho.
No dia 8 de Julho
a Igreja intervêm oficialmente, pela primeira vez, pedindo tranqüilidade ao povo
e respeito às autoridades.
No dia 10 foram
levantadas as barricadas novamente. Bernadete mantinha-se distante e indiferente
a toda esta movimentação. Nas oportunidades que surgiam, recomendava obediência
e desaconselhava que arrebentassem a paliçada na gruta.
NOVO ENCONTRO COM
NOSSA SENHORA
No dia 16 de
julho, festa do Monte Carmelo, ela sentiu-se novamente 'atraída' e 'pressionada'
para ir à gruta, como das vezes anteriores. Esperou pelo entardecer e lá chegou
por um caminho que ninguém suspeitou. Foi em companhia de sua tia Lucilia,
camuflada com um capuz emprestado.
Junto à cerca de
tábuas que isolava a gruta, encontrava -se um grupo de pessoas, que de joelhos e
silenciosamente rezavam. Ela ajoelhou e acendeu sua vela. Duas congregadas
marianas que a reconheceram, juntaram-se a ela e à sua tia, em silêncio,
Apenas começara o
terço, as suas mãos afastaram-se comovidas, numa saudação de alegria e surpresa.
NOSSA SENHORA estava lá. A sua face iluminou-se e suas feições adquiriram uma
indescritível formosura. Terminada a reza do terço,
pelo seu rosto podia-se ver estampada a felicidade que brotava de seu íntimo, a
alegria de mais uma vez ter-se encontrado com a MÃE de DEUS. Ela não comentou
nada. No caminho de regresso, apenas disse:
- 'Eu não via as
tábuas nem o Rio Gave. Parecia-me que estava na gruta, sem maior distancia que
das outras vezes. Não via senão a Santíssima Virgem Maria'.
E neste mundo,
foi a última vez. Aconteceu como se fosse uma visita de despedida, Nossa Senhora
sempre bondosa, cheia de carinho e atenção, desceu à terra mais esta vez, para o
derradeiro adeus à sua amiga.
Santa Bernadete
Do dia 16 de junho de 1858, data da última
Aparição de Nossa Senhora, até junho de 1866, quando iniciou sua viagem para
entrar no Convento de Saint Gildard em Nevers, conviveu com as Irmãs do
Hospício, na sua cidade, freqüentou a escola onde adquiriu um pouco de instrução
e exercitou um profícuo apostolado junto aos doentes internos.
Mas foi também um período difícil de sua vida,
porque era solicitada e importunada em todos os momentos, por curiosos, por
pessoas que queriam o seu autógrafo, queriam vê-Ia, assim como tocar-lhe e
fazer-lhe perguntas.
Foi assediada também por diversas Ordens
Religiosas que a queriam, cada uma desejava que ela entrasse em sua Comunidade.
Mas inicialmente, preferiu continuar ao lado dos pais e irmãos. Com o passar do
tempo e o sempre crescente número de visitantes, fizeram com que sentisse a
necessidade de isolar-se, para poder trabalhar, para ser útil de alguma forma
e não ficasse apenas como um objeto de admiração pública. Por esse motivo
começou a pensar em ingressar num Convento. Mas havia outros problemas que
interferia e dificultava a sua decisão: a asma crônica, sua pobreza que não
lhe permitia ter um dote e a falta de instrução.
Entretanto, com o passar dos meses a
convivência em casa estava tornando-se impossível, em face dos motivos
mencionados, por isso decidiu-se e escreveu para Nevers pedindo autorização para
entrar no Convento. A resposta veio positiva.
Em 7 de julho de 1866, às 22 horas e 30
minutos, desembarcava na estação ferroviária de Nevers, acompanhada de mais duas
postulantes, Maria e Leontina, e de duas Superioras da Comunidade.
No dia 8 de dezembro teve uma grande tristeza
com a noticia da morte de sua mãe Luisa com 41 anos de idade.
Bernadete encontrou em sua vida de Convento as
dificuldades naturais que o ciúme pode causar a algumas pessoas por ter sido ela
a preferida da Virgem Mãe, apesar de ser tão modesta, simples e sem qualquer
instrução.
E foi com muito sofrimento, com um imenso amor
pelo próximo, um perseverante espírito de disciplina e obediência inigualáveis,
que conseguiu superar todos os momentos difíceis.
Respeitosamente acatava as decisões e as
ordens das Superioras, mesmo que ás vezes denotasse um excesso de rigor ou que
fossem na maioria das vezes ofensivas, aceitando-as sem discuti-las, com um
singelo sorriso.
No dia 30 de Outubro de 1867 fez a sua
"Profissão de Fé". Sua voz era firme e
sem afetação. Compromete-se por toda a vida a praticar a pobreza, a
castidade, obediência e caridade.
Foi escolhido para ela o emprego da Oração e
auxiliar na Enfermaria da Casa Mãe.
Com a morte da Enfermeira Chefe Irmã Marta a 8
de Dezembro de 1872, por iniciativa própria, assumiu a responsabilidade da
Enfermaria, sem nomeação das Superioras, tomando sobre si todas as tarefas e
atribuições da função. É assim que organizou a Enfermaria, colocou rótulos nos
produtos relacionou as diversas poções, escrevendo as formulas, tudo com
capricho e interesse. E também, com invulgar dispensava atenção e carinho a
todas que necessitavam de seus serviços.
No dia 4 de março de 1871 recebeu um telegrama
que trazia a notícia da morte de seu pai. Chorou muito, com imensa saudade dele.
Dias depois escreveu à Maria sua irmã:
"Venho chorar contigo. Fiquemos no
entanto submissas, embora bem desgostosas, à mão paternal que nos bate tão
duramente há algum tempo. Levemos e beijemos a Cruz".
A 3 de junho de 1873 tem uma recaída muito
séria. Ninguém duvida de que vai morrer. Recebe a Extrema Unção pela terceira
vez. No entanto, dias depois, melhorou e voltou a rir e a ter disposição para o
seu trabalho na Enfermaria.
A 11 de dezembro de 1878, deita-se
definitivamente na sua "Capela Branca", como chamava o seu leito na sala da
enfermaria, porque ele possuía um grande cortinado que o envolvia. Colocou
próximo a imagem de São Bernardo de Claraval, seu padrinho de batismo.
Padre Febvre, seu último confessor e que
constantemente estava em sua companhia, enumera as suas enfermidades:
- "Uma asma crônica, dilacerante do peito,
acompanhada de vômitos de sangue que duraram dois anos. Tinha aneurisma
(desenvolvimento da aorta), uma gastralgia, um tumor no joelho... Enfim, durante
os dois últimos anos, a cárie dos ossos, de forma que seu pobre corpo era o
receptáculo de todas as dores. Também, formaram-se abcessos nos ouvidos da Irmã
Maria Bernarda que a afligiram com uma surdez parcial que lhe foi muito custosa
e não cessou senão algum tempo antes da morte.
A partir de seus votos perpétuos, a 22 de
setembro de 1878, os sofrimentos redobraram de intensidade e não cessaram senão
com a morte. A sua ambição, que escondia e não permitia que as pessoas
soubessem, era o seu imenso desejo de ser uma vítima para Coração de Jesus.
"No, no, no
consolación, solo fortaleza y paciencia", dizia Bernadete.
Bernardette padeció
su pasión durante la Semana Santa de 1879. El día 16 de Abril de 1879 rogó a las
religiosas que la asistían que rezaran el rosario, siguiéndolo ella con gran
fervor. Al acabar un Ave María, sonrió como si se encontrara de nuevo con la
Virgen de la Gruta y murió. Eran las 3:15 PM.
Sus últimas palabras
fueron la conclusión del Ave María: "Santa María, Madre de Dios, ruega por mí
pobre pecadora....pecadora..."
MORTE
DE BERNADETE
- No dia 28 de março de 1879, pela quarta vez
recebeu a Extrema Unção, e assim falou:
"Curei-me todas as vezes que a recebi".
Depois do Santo Viático ministrado pelo Padre
Febvre, disse: "Minha querida
Madre, peço-lhe perdão por todos os sofrimentos que lhe causei, com minhas
infidelidades na vida religiosa e peço também perdão às minhas companheiras dos
maus exemplos que lhes dei... sobretudo com o meu orgulho"!
Durante a Semana Santa, celebrada do dia 6 ao
dia 13 de abril, os escarros agravaram-se e ela pede um "alívio":
"Se pudesse encontrar na sua farmácia
qualquer coisa para aliviar os meus rins, estou toda esfolada".
E de outra vez manifestou-se assim:
-
"Procure então nas suas drogas... qualquer coisa para me fortificar.
Não tenho forças nem para respirar. Mande-me vinagre bem forte para cheirar".
Depois mandou tirar todas as imagens e
estampas de Santos que ornavam o seu quarto.
-
"Este me basta" (mostrou o
Crucifixo).
Por fim, às 15 horas do dia 16 de abril de
1879, ainda jovem com 35 anos de idade, morreu Bernadete depois de um intenso e
penoso sofrimento que lhe impuseram seus diversos males.
"Fez um grande sinal da Cruz, pegou no copo
contendo a bebida fortificante que lhe apresentaram, toma por duas vezes algumas
gotas e inclinando a cabeça, entrega docemente a sua alma."
Tão pura e com tanto amor a Deus e à Virgem
Maria, que tinha receios, mesmo involuntariamente, de os ofender. Isto
transformou para ela num grande drama moral, que a atordoou bastante, nos
últimos dias de vida.
Viveu como manda o Evangelho e ofereceu
exemplos de vida para todas ocasiões e para o mundo viver o conteúdo da mensagem
divina, que ela recebeu na gruta de Massabieille:
"Pobreza, Oração e Penitência"
0 seu encanto transparece mais visível e brilhante, nos milagres que ocorreram
por sua intercessão e que fizerem com que ela fosse proclamada Santa, antes
mesmo de ser canonizada.
PRECIOSA INTERCESSÃO DE SANTA BERNADETE
- De uma infinidade de acontecimentos
marcantes, vamos relembrar aqui, apenas alguns que possuem características
absolutamente sobrenaturais.
A Superiora do Hospício de Lourdes, Madre
Alexandrina Roques, sofreu após uma queda, uma torcedura que a condena a longo
repouso , num período difícil, de muito trabalho, quando era muito solicitada
por suas ocupações. Manda chamar Bernadete e lhe diz:
-
"Não posso ficar de cama estas cinco semanas, sobretudo neste
momento em que aqui há tanto o que fazer. É preciso que a Santa Virgem me cure e
ponha de pé. Vai lhe dizer isto na Capela".
E ela foi.
No dia seguinte, a Superiora estava de pé, sem
a torcedura, para espanto do médico, que contudo, já devia ter visto coisas
idênticas e outras até mais extraordinárias, em Massabieille.
Em outra oportunidade, em Nevers, uma mãe cujo
filho morria, vai até o Convento e leva a coberta do berço da criança, com
pretexto de que o bordado não estava terminado. Conversa com a Madre Superiora e
lhe suplica que dê a Irmã Maria Bernarda para acabá-lo. A Madre concordou e
levou a coberta onde ela se encontrava com as outras irmãs, e disse:
-
"Está aqui uma coberta cujo bordado está errado; a dama que o
trouxe pergunta se alguma de vocês poderia consertá-lo"?
-
"Isto é fácil" - responde
Bernadete, sempre viva e pronta a gracejar. -
"Essas belas damas da sociedade
enganam-se no seu trabalho e somos nós que o temos de arranjar. Enfim, apesar de
tudo, dê-o cá; vou tentar consertar isso".
E a mãe do pequenino doente, já desenganado
pelos médicos, passou a coberta sobre o berço, e seu filho ficou logo
milagrosamente curado.
Aconteceu em outra oportunidade, que uma mãe
com sua filha portando uma incurável enfermidade que a impedia de andar, decidiu
levá-la ao Convento, porque a medicina nada mais podia fazer por ela.
Entendeu-se com a Superiora, que logo depois chamou Bernadete:
-
"Irmã Maria Bernarda, quer tomar nos braços esta criança, enquanto
eu falo com esta senhora? Sobretudo, não a ponha no chão".
Ela afastou-se com a criança para debaixo dos
castanheiros; quando a Superiora veio procurá-la, encontrou-a chorando, com
receios de ser censurada. A criança debatera-se de tal modo nos seus braços, que
se viu obrigada apesar da proibição, colocá-la no chão, por onde andava e corria
com toda alegria, em volta dela. A mãe ficou emocionada e chorou de satisfação,
enquanto a Superiora apressadamente mandou Bernadete dar um recado na outra
extremidade do Convento, para preservar a sua humildade.
A criança estava totalmente curada, sorria
descontraída e satisfeita brincava ao redor de sua mãe.
Assim, Nosso Senhor aliviava os sofrimentos
das pessoas que tinham fé pela intercessão de Nossa Senhora, concedendo as
graças ao suplicante através das mãos inocentes de Bernadete.
0 maravilhoso manifestava-se sempre de tal
modo, que para ela, de um modo geral, permanecia ignorado.
Depois de sua morte, os milagres
multiplicaram-se em torno de seu túmulo, com uma freqüência notável.
Os muros de sua capela funerária, estão hoje
repletos de "ex-votos", emblemas vivos de sua eficaz mediação junto à Mãe de
Deus . Ela também fazia maravilhas ao longe, mesmo sem intervenção de relíquias
e de imagens, tendo sem cessar, feito prevalecer a força e o poder do espírito.
Trinta anos após sua morte, em 22 de setembro
de 1909, foi aberto o caixão para reconhecer os despojos mortais. Seu corpo
estava intacto, a tez estava branca.
A 13
de abril de 1925, exumaram-na pela última vez, Bemadete, ainda intacta, parecia
que estava adormecida. Cobriram sua face e suas mãos com cera e a colocaram
sobre cetim, seda e rendas, na Capela, onde hoje encontra-se à veneração de
todos, no Convento de Saint Gildard, em Nevers, na região do Loire, na França.
Extraído do Portal Católico Apelos Urgentes:
http://www.apelosurgentes.com.br/
Corpo intatacto de Santa
Bernadete no Convento de Saint Gildard, em Nevers, na região do Loire, na
França, aberto para visitação e devoção: Inexplicável para a ciência.
Ver Santos Incorruptos:
http://www.projetocrescer.net
“NÃO SOIS MAIS SANTOS, POR QUE NÃO SOIS MAIS
DEVOTOS DE MARIA” (São Bernardo Claraval quem os pais de Bernadete escolheram
para seu pai espiritual)
http://www.corazones.org
http://www.corazones.org
Tradução e adaptação: José Alexandre Faria
Programa Momentos com Meus Deus –
O Santo da Semana: 05/05/2006.