São Miguel- “Quem como
Deus?”
Programa Momentos com Meu
Deus: O Santo da Semana- 29/10/05
Quem é
São Miguel Arcanjo?
São
Miguel é um dos sete Arcanjos e está entre os três cujos nomes aparecem na
Bíblia. Os outros dois são Gabriel e Rafael. A Igreja concede a São Miguel o
mais alto lugar entre os Arcanjos, é o Príncipe dos Espíritos Celestiais”,
“Chefe das Milícias Celestes”. Já no Antigo Testamento aparece como o grande
defensor do povo de Deus contra o dêmonio e sua poderosa defesa continua no Novo
Testamento.
(Concílio de
Braga – ano de 563)
"Creio em
um só DEUS, PAI onipotente, Criador do Céu e da Terra e de todas as coisas
visíveis e invisíveis..."
Assim
proclama a Igreja a sua fé em todas as Missas dos domingos e festas de guarda.
Antes de
ter criado os homens, DEUS criou os Anjos, que são espíritos puros, isto é, não
compostos de matéria, embora por vontade divina, possam às vezes apresentar-se
aos homens sob forma corporais.
O SENHOR
onipotente deu aos Anjos inteligência excelsa e força admirável, muito
superiores às dos homens; fê-los felizes e elevou-os à grandeza de sua natureza
Angélica, fazendo-os participantes da Sua vida divina e Seus filhos. Mas não os
confirmou em graça nem lhes deu a posse da visão beatificada sem primeiro os
experimentar por uma vida de Fé. DEUS ocultou-se-lhes e provou-os, para terem
oportunidade de Lhes manifestar a sua fidelidade e o seu amor. Apesar desta
ausência, seres livres, conhecendo a DEUS e sendo amparados pela graça divina,
podiam todos triunfar da prova a que o SENHOR e PAI os sujeitaria. O número dos
Anjos é incalculável, milhares e milhares de milhões. - Quantos? Não o sabemos.
As Sagradas
Escrituras falam-nos de. Anjos agrupados em 9 coros, a saber:
A
primeira hierarquia:
Os Serafins, Querubins e Tronos têm por missão o serviço principal perante o
Trono de DEUS;
A
segunda hierarquia: Dominações, Potestades e Virtudes têm por missão o serviço no espaço da Criação;
A
terceira hierarquia: Principados, Arcanjos e simples Anjos têm por missão o serviço junto à
humanidade na Terra.
Mais de
trezentas vezes falam as Sagradas Escrituras no Antigo e Novo Testamentos acerca
dos Anjos e refere a sua intervenção no Mundo, e a Igreja infalível, confirmou a
sua crença nas palavras que a Bíblia nos transmite definindo no IV Concílio
Ecumênico de Latrão a existência dos espíritos angélicos (Cap. 1, d. 428) deste
modo: "DEUS, desde o princípio do tempo, criou do nada duas espécies
de seres: os espirituais e os corporais, isto é, os Anjos e o Mundo; e
depois, criou o homem que, sendo constituído de corpo e espírito, que é
comum a ambos os seres."
Os Anjos,
embora felizes totalmente, filhos de DEUS e por Ele muito amados, não são todos
iguais.
Estão
constituídos de modo a darem glória ao SENHOR e PAI onipotente, ao DEUS Uno e
Trino servindo-O e amando-O como Ele os determinou.
Tal como
nós os homens, antes de possuirmos a DEUS para sempre no Céu, na visão
beatificada, temos de O servir e amar neste Mundo, na noite de fé, e só depois,
como prêmio da nossa fidelidade, receberemos o dom da confirmação em graça,
assim também os Anjos foram experimentados e sujeitos à prova da fé durante um
tempo, para depois, como prêmio, receberem a fruição eterna de DEUS Uno e Trino
na visão beatificada, confirmados em graça.
Infelizmente lúcifer, do Coro dos Serafins, o mais belo dos Anjos, o que fora
destinado por DEUS para comunicar a luz divina a toda a Criação, não permaneceu
fiel, revoltando-se contra o SENHOR. Desvanecido com os dons de que fora
revestido e cheio de orgulho e vaidade, arrastou nesta revolta uma parte dos
seus companheiros, caindo alguns, de todos os nove coros.
Eis como
o profeta Isaías narra a queda de lúcifer, anjo da luz, que por revolta se
transformou em satanás, anjo das trevas:
"Como
caíste lá dos céus, astro da manhã, filho da aurora? Exclamavas em teu coração:
'Escalarei os céus e acima das estrelas de DEUS assentarei o meu trono.
Remontar-me-ei ao mais alto das nuvens. Serei semelhante ao Altíssimo...'. E
eis-te precipitado no inferno, na profundidade dos abismos.' (Is 16, 21)
Alguns
teólogos tentam explicar a queda de lúcifer e a sua revolta, pelo orgulho, por
ter o SENHOR lhe revelado que um dia Ele próprio na Sua Segunda Pessoa viria à
Terra e se uniria hipostáticamente à natureza dos homens, fazendo-se um deles e
como eles. Não tomaria a natureza Angélica, mas a natureza humana, em si
inferior à Angélica, e lúcifer e os outros anjos adorariam e serviriam esta
natureza humana, assumida pela Divindade, dada por uma criatura excelsa, a
Virgem Maria, e tudo dependente do Seu Fiat, o Seu Sim, e que estes A serviriam
como sua Rainha e Senhora. O amor de DEUS pelos homens seria tal, que Ele viria
fazer-se um deles para lhes servir de modelo, pois dizem os mesmos teólogos,
entre os quais o célebre doutor bem-aventurado Scoto, franciscano, que ainda que
Adão e Eva não pecassem, o FILHO Unigênito de DEUS se faria Homem para lhes
manifestar o Seu Amor e como causa eficiente dos seres e da graça.
Com esta
revelação terminaram os laços que prendiam lúcifer a DEUS.
O
orgulho e o ciúme desesperaram-no.
'Não
servirei!' - gritou. A sua inteligência e o seu poder de sedução arrastaram
atrás de si muitos outros anjos que igualmente se revoltaram. Ao darmos crédito
às célebres revelações de Maria Valtortá, a grande mística italiana, falecida há
poucos anos e já com o processo de beatificação na Cúria Romana, Nosso SENHOR
ter-lhe-á dito: "Minha filha, lúcifer era o mais belo dos Anjos, espírito
perfeito, só inferior a DEUS. No seu ser de luz nasceu um vapor de orgulho que
ele não dissipou, mas pelo contrário, o condenou. Desta incubação nasceu o mal.
Ele existia antes que o homem existisse. DEUS tinha precipitado fora do Paraíso
o maldito que tinha dado origem ao mal, que tinha profanado o Paraíso. Mas ele
ficou o eterno incubador do mal e, não podendo mais profanar o Paraíso,
emporcalhou a Terra. Esta árvore simbólica (a árvore da ciência do bem e do mal,
descrita na Bíblia) serve para demonstrar esta verdade. 'DEUS tinha dito ao
homem e à mulher: "Vós conheceis todas as leis e mistérios da criação. Mas
não usurpeis o meu direito de ser o Criador do homem. Para propagar a raça
humana será suficiente o Meu amor que circulará em vós e sem luxúria, unicamente
pelo movimento da caridade. Meu amor suscitará os novos Adões da raça humana. Eu
dou-vos tudo. Não me reservo sendo este mistério, o da formação do homem."
Quando do
grito da revolta, lúcifer arrastou muitos dos seus companheiros, a terça parte,
como diz o livro sagrado do Apocalipse por estas palavras: "Eis que apareceu no
céu um grande dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres e sobre as cabeças
sete diademas. A sua cauda varreu a terça parte das estrelas do céu e lançou-as
sobre a Terra... Eis que se travou uma grande batalha no céu: Miguel e os seus
Anjos pelejavam contra o dragão e este pelejava também com os seus anjos. Mas
estes não prevaleceram e não houve mais, no céu, lugar para eles. O grande
dragão foi precipitado, a antiga serpente, o diabo ou satanás como lhe chamam, o
sedutor do Mundo inteiro, foi precipitado na Terra juntamente com os seus anjos
(Ap. 12). Lúcifer gritou: "Não servirei!" Miguel, cheio de humildade e amor,
proclamou: "Amigos, quem é como DEUS?!"
De um lado,
consumam-se o orgulho, a vaidade e o ciúme; de outro, a humildade, o amor e a
submissão. Ambos os chefes foram seguidos. DEUS cria o Inferno e nele são
precipitados por Miguel - o amigo de DEUS, o Anjo fiel e confirmador dos seus
irmãos na fidelidade ao Altíssimo, lúcifer e todos os anjos rebeldes. Os
anjos bons e fiéis, com Miguel, são então confirmados em graça e felicidade
eternas e, embora livres, usarão de tal modo a sua liberdade que nunca poderão
pecar; consumados no Amor de DEUS entram na bem-aventurança eterna, na fruição
de DEUS, na eterna alegria. São Miguel, que era um Anjo do oitavo coro, é
promovido por DEUS pela sua fidelidade e torna-se o Chefe das milícias
angélicas, o principal entre os primeiros, como diz o Livro de Daniel (cap. 12).
Lúcifer e
os seus seguidores ficarão perpetuamente desgraçados, sem remissão possível: só
saberão odiar, praticar e sugerir o mal. Os Anjos bons só poderão amar,
praticar e sugerir o bem. DEUS, em Seus secretos desígnios, conservará, no
entanto, aos anjos rebeldes grande inteligência, poder e vários dons da sua
natureza e servir-se-á deles, para provação e santificação dos bons. Estes, se
buscarem a força do SENHOR pela oração e os Sacramentos, sairão triunfantes e o
próprio diabo, com o seu mal, será o instrumento, que os ajudará a alcançar a
eterna felicidade.
E bom
lembrar o seguinte:
se é certo que
o diabo e os seus seguidores, por serem anjos, são superiores a nós em
inteligência e força, é certo que não passam de simples criaturas: estão nas
mãos de DEUS, precisando a todo a instante que Ele os mantenha na existência; só
podem fazer o que DEUS dá licença e na medida em que a dá, não os podemos vencer
com as nossas forças naturais, mas podemos vencê-los com a força do SENHOR,
unido a nós pela graça sobrenatural. Tão fortes para quem não está com DEUS, tão
fracos para quem invoca o SENHOR! Não temamos, pois! Não esqueçamos o que diz
São Tomás de Aquino, o príncipe dos teólogos: "Qualquer Anjo bom, inferior na
ordem da natureza, sobreleva os demônios na mesma ordem natural, porque a
virtude da justiça Divina sobre a qual estão firmados os Anjos bons é
superior à virtude natural dos anjos maus".
No Inferno
só há ódio e desespero. Os demônios obedecem todos ao seu chefe, mas todos o
odeiam e se odeiam entre si; só se unem para fazer o mal, mas são imensamente
desgraçados, e o mais desgraçado e quem mais sofre é lúcifer - o pai da mentira,
das revoltas e fomentador das guerras.
"Deus criou
todas as coisas materiais e espirituais. O diabo e os outros espíritos malignos
foram criados bons por Deus, mas tornaram-se maus por si mesmos."
(IV –
Concílio Ecumênico de Latrão – ano de 1215)
"Se alguém
disser que satanás não foi criado ao princípio como anjo bom por DEUS e que ele
não é, pela sua natureza uma criatura de DEUS, mas que ao contrário, saiu das
próprias trevas e que não tem ‘criador’... que seja anátema."
Uma
santa assistiu um dia a um diálogo entre satanás e DEUS.
Lúcifer
apareceu chorando e gritava:
"Amas tanto os
homens, eles pecam e ofendem-Te tantas vezes e TU perdoas-lhes sempre; e a mim,
desgraçado, que só Te ofendi uma vez, não me perdoaste e condenaste-me
perpetuamente à desgraça e ao desespero..."
O SENHOR
replicou: - "E tu pediste-me perdão?" Pedir perdão!? Tal não fez satanás em
seu refinado orgulho. E o orgulho, como o de lúcifer, cega. Dizem vários
teólogos que muitos dos homens fiéis são destinados a ocupar no Céu o lugar que
DEUS destinara aos anjos caídos; uma parte da humanidade fiel terá seu lugar
especial no Céu, conforme as suas virtudes, e a outra parte da humanidade que se
salvar, ocupará no meio dos coros Angélicos, os lugares perdidos pela terça
parte dos anjos rebeldes. Não será por isso que a Cruz de muitos é tão grande?
São homens e são chamados a dar no Céu a DEUS, uma glória humana-angélica.
A ser
verdade o que vem num livrinho com aprovação eclesiástica, intitulado: "Padre,
Pio fala ao Mundo" este teria aparecido depois da morte a um dos seus filhos
espirituais e disse-lhe: "Estou no meio do Coro dos Serafins, junto do meu pai
São Francisco". Quer dizer que ambos terão ocupado os lugares de dois Serafins
perdidos.
A Devoção a
São Miguel
DEUS exalta os
humildes e resiste aos soberbos, dizem as Escrituras Santas. Quer no Antigo
Testamento, que, no Novo, São Miguel foi sempre muito amado e venerado pelo povo
de DEUS. O SENHOR o constituiu guarda e protetor da nação israelita, como se lê
no profeta Daniel: "Surgirá Miguel o grande Príncipe, que guardará o teu
povo." (Dan 12, 1)
E quando da
tomada da cidade de Jericó, São Miguel aparece a Josué e diz-lhe: "Eu sou o
chefe dos exércitos do SENHOR." Caindo Josué por terra, exclama: "Que manda o
Senhor ao seu servo?" Retorquiu-lhe o Arcanjo: "Todos os homens de armas
marcharão em torno da cidade uma vez por dia, durante seis dias; no sétimo, os
sacerdotes seguirão à frente da Arca da Aliança, após o toque das sete
trombetas. Logo que o som das trombetas, prolongado e nítido, ressoe aos vossos
ouvidos, todo o povo soltará gritos clamorosos; nessa altura as muralhas da
cidade desmoronar-se-ão e o povo penetrará nela cada um no lugar à sua frente. "
E ao falar
dos séculos futuros e sobretudo do que há de acontecer perto do Juízo Final, o
Anjo enviado por DEUS ao Profeta Daniel, diz-lhe estas palavras: "Naquele tempo
surgirá Miguel, o grande príncipe que protege os filhos do teu povo. Será este
um período de angústia tal, que não terá havido outro semelhante desde que
existem nações até àquele tempo. Ora dentre a população do teu povo, serão
salvos todos os que se encontrarem inscritos no Livro da vida eterna" (Daniel
12).
As
intervenções de São Miguel em favor do povo de DEUS, quer no Antigo, quer no
Novo Testamento, motivaram da parte da Igreja, desde o princípio, uma especial
veneração por este Arcanjo que ela sempre considerou e honrou com um culto
especial, como guarda e protetor da família divina no seu peregrinar por este
Mundo até à casa do PAI. Em documentos oficiais dos Sumos Pontífices e de
modo especial no culto litúrgico, Miguel é honrado como protetor e guarda da
Igreja e como padroeiro dos agonizantes; também é ele quem introduz as almas
dos que deixam este Mundo, junto do Trono de DEUS para o julgamento. A Igreja de
que ele é o Protetor e guarda defensor da família divina que somos nós, os
cristãos, invoca-o como advogado de defesa na vida e na hora da morte.
Aparições de São Miguel
Além
das que vêm mencionadas nas Sagradas Escrituras, quer no Antigo quer no Novo
Testamento, várias são as intervenções do Chefe dos Anjos na vida da
Igreja, aparecendo em vários lugares, em horas difíceis, para mostrar a sua
assistência como guarda e protetor vigilante da mesma Igreja. Estas aparições
foram observadas e confirmadas pela autoridade eclesiástica que as abençoou e,
algumas delas, foram inseridas na própria liturgia local ou universal, com Missa
e ofícios próprios.
Sabemos como a seguir à
Ascensão do SENHOR JESUS ao Céu, os Apóstolos, para dar cumprimento ao Seu
mandato: "Ide por todo o Mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer
e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16, 15-16),
dividiram o mundo conhecido em doze partes e para cada uma delas foi um
Apóstolo. Depois, ao grupo dos doze Apóstolos, o SENHOR agregou um décimo
terceiro, o Apóstolo São Paulo, para mostrar claramente a universalidade da
Igreja, que não era só para substituir a Igreja do Antigo Testamento confiada ao
povo hebreu, o povo eleito, mas todos os pagãos de todas as raças; por isso, São
Paulo é chamado o Apóstolo dos Gentios. A São João Evangelista coube por sorte a
Ásia Menor e aí começou a sua evangelização na cidade de Hierópolis, onde se
adorava uma serpente como deus. Pondo-se o Santo em oração, a serpente morreu.
Os sacerdotes do ídolo, furiosos, perseguiram o Apóstolo que teve de fugir.
Chegou à região de Chones, na Frígia, que nesses tempos chamava-se Colossos, e a
quem mais tarde o Apóstolo São Paulo dirigirá a célebre epístola aos Colossenses. São João foi muito bem sucedido na sua pregação e
vários abraçaram a fé. Na sua instrução falou também sobre os Anjos e
anunciou-lhes que o príncipe das milícias angélicas, o grande São Miguel, os
tomaria debaixo da sua proteção e que às portas da cidade brotaria uma fonte,
onde os doentes, com o sinal da Cruz e a invocação do Arcanjo São Miguel,
encontrariam uma pronta cura. A fonte apareceu e espalhou-se este acontecimento
por toda a região. Os fiéis e os pagãos começaram a afluir a esta fonte e as
curas multiplicaram-se.
Um rico
homem de Laodicéia, cidade desta região da Frígia, tinha uma filha única que era
muda. Numa noite, apareceu-lhe, em forma humana, São Miguel e disse-lhe: "Conduz
a tua filha à fonte dos cristãos e acredita na onipotência do seu DEUS, que a
tua fé será recompensada". Cheio de temor e esperança, foi com a filha à fonte e
aí perguntou aos cristãos o que devia fazer. Eles disseram: "É em nome do PAI,
do FILHO e do ESPÍRITO SANTO e pela intercessão de São Miguel que nós
usamos desta água." O pagão, repetindo estas palavras, invocou a Santíssima
TRINDADE e o socorro do glorioso Arcanjo. A filha começou a falar e a fé
iluminou a sua alma e a do seu pai. Ambos pediram o batismo. Cheio de alegria, o
homem mandou edificar junto da fonte uma igreja, a atestar o seu reconhecimento
por este milagre. Um cristão jovem que seguia a vida eremítica, ficou como
guardião deste santuário. As curas multiplicaram-se e, como conseqüência, a
conversão dos pagãos ao cristianismo.
Os sacerdotes dos ídolos,
obstinados nos seus erros, resolveram destruir o santuário. Junto deste,
passavam dois rios que eram contidos por diques. Numa noite ouviu-se um forte
barulho das águas. Os pagãos tinham destruído os diques e brevemente o santuário
seria arrasado e submerso. O eremita, ao ver o que se passava, gritou: "SENHOR, a Vossa onipotência comanda e rege os abismos do mar, Vós podeis salvar
a templo do vosso Arcanjo". Enquanto ele rezava, ouviu- se uma voz vinda do
Céu. Era São Miguel que descia para desarmar o furor de satanás. Disse ele ao
seu fiel servo e guardião do seu templo: "'Não temais, o inferno não pode
nada contra nós". O Arcanjo estendeu a sua mão sobre o caudal dos rios; as
águas impetuosas foram controladas no seu caminhar por um braço invisível. São
Miguel traçou sobre elas o sinal da Cruz e fê-las recuar, desviando o seu curso.
O vencedor de lúcifer deixou-se ver no cume de um rochedo. A terra tremeu e
abriu-se uma garganta, por onde as águas sumiram-se vertiginosamente, em
turbilhão. São Miguel, depois de ter exortado o eremita a que continuasse a
convidar os doentes do corpo e da alma" a que usassem da água da fonte em Nome
da Santíssima TRINDADE, subiu ao Céu.
As liturgias da Igreja
Oriental comemoram este acontecimento com Missa e ofícios próprios no dia 6 de
setembro.
Aparição de São
Miguel no Monte Gargano
Nos
fins do século V, quando na cadeira de São Pedro regia a Igreja o Papa São
Gelásio, um pastor que apascentava uma manada de vacas no alto do Monte
Gargano, na Itália, província da Apúlia, querendo obrigar um novilho a sair de
uma caverna onde se refugiara, desferiu lá dentro uma flecha, a qual retrocedeu
com a mesma velocidade, vindo ferir quem a lançara.
Este fato causou
admiração nos que presenciaram este acontecimento e a notícia foi longe e chegou
também aos ouvidos do Bispo de Siponto, cidade que ficava no sopé da montanha.
Julgou ele tratar-se de
algum misterioso sinal da parte de DEUS e ordenou um jejum de três dias em toda
a diocese, pedindo ao SENHOR se dignasse revelar-lhe do que se tratava. DEUS
escutou as orações do Prelado e, passados três dias, apareceu- lhe o Arcanjo São
Miguel declarando-lhe que o SENHOR queria que a ele, Anjo tutelar da Igreja, e
aos outros Anjos, se edificasse naquela caverna, onde se manifestou o prodígio,
uma igreja em sua honra, para reavivar a fé e a devoção dos fiéis no seu amor e
proteção, como Anjo custódio da Igreja Católica.
Tendo o Bispo comunicado
ao povo a visão que tivera e o que lhe fora pedido, foi ele próprio, com muita
gente, observar o local. Encontraram uma caverna espaçosa em forma de templo,
cavada na rocha, com uma fenda natural na abóbada, de onde jorrava a luz que a
iluminava. Nada mais era preciso que pôr um altar-mor para celebrar os Divinos
Mistérios. Levantado o altar, o Bispo consagrou-o. Todos os povos vizinhos
acudiram para a cerimônia cheios de alegria e a festa durou vários dias.
Nunca mais até hoje se
deixou de celebrar ali a Santa Missa, como também os outros ofícios litúrgicos,
e DEUS consagra este lugar através dos séculos, com graças e milagres de toda a
espécie, em favor dos que lá acorrem, doentes de corpo e alma, mostrando quanto
Lhe é grata a devoção em honra do glorioso arcanjo São Miguel que defendeu,
quando da revolta de lúcifer, a fidelidade ao DEUS Uno e Trino, soltando este
grito: AMIGOS, QUEM É COMO DEUS?
O Santuário do glorioso
Arcanjo na gruta do Monte Gargano, é considerado um dos mais célebres e devotos
de todo o Mundo. A Igreja, para atestar este fato histórico, marcou para o
Calendário Litúrgico Universal a Festa Comemorativa desta aparição, no dia 8 de
maio. Esta festa foi obrigatória para toda a igreja até à nova reforma litúrgica
após o Concílio Vaticano II.
Atualmente, só é
obrigatória na diocese de origem e em alguns calendários particulares.
O Monte Gargano onde está
este santuário, fica perto do convento de Nossa Senhora da Graça, onde viveu e
morreu o célebre estigmatizado Padre Pio de Pietrelcina, falecido há pouco, em
odor de santidade.
Aparição de São
Miguel na França
No
século xv a França foi invadida pelos ingleses e só restava uma
pequena porção
do território ainda não
debaixo do seu domínio. São Miguel apareceu mais uma vez para salvar este país,
e desta vez por intermédio de uma pastorzinha de Lorena que tinha 15 anos e era
analfabeta, Joana d'Arc, convidando-a a armar-se de cavaleiro e comandar os
exércitos franceses. A menina começou a chorar e disse que nunca seria capaz de
tal coisa. Disse-lhe São Miguel: "Vai, sem temor, que combaterei em teu favor".
Joana parte, vai ter com o rei tímido e fraco que era Carlos VII e incita-o a
que receba a sagração real. Orleans é libertada, a donzela, depois de vinte
vitórias em batalhas contra os ingleses, é presa e condenada à fogueira. Neste
momento, lá está também São Miguel a ajudá-la a triunfar no martírio que fez
dela uma santa que veneramos hoje em nossos altares.
Aparição De São
Miguel ao imperador Constantino Magno
Durante três séculos
os imperadores romanos perseguiram a Igreja Católica,
chegando a considerar os
cristãos como inimigos do gênero humano, não tendo o mesmo direito à existência.
Os cristãos que confessavam a sua fé eram torturados, despojados dos seus bens
que passavam para o Imperador e depois condenados à morte mais cruel. Mais de
doze milhões de mártires deram por CRISTO a vida. Chegou finalmente a hora da
paz com a conversão do imperador Constantino, filho da imperatriz Santa Helena,
já convertida ao cristianismo. Esta paz foi preparada por São Miguel. Quando
Constantino combatia contra Maxêncio, na Gália, província do império, São
Miguel apareceu-lhe rodeado de muitos Anjos para o socorrer e assegurar a
vitória. Mostrou-lhe no céu, em pleno meio-dia, uma Cruz luminosa cercada por
uma inscrição que dizia: "'Com este sinal vencerás". A Cruz tinha por cima
as duas primeiras letras gregas do nome de JESUS CRISTO. Não sabendo o que este
sinal no céu significava, São Miguel apareceu-lhe num sonho e mandou-1he que
pusesse este sinal num estandarte que seria levado pelas suas tropas, à frente,
para os combates. O imperador obedeceu e, guiado pela Cruz, caminhou a combater
o seu inimigo perto de Roma. A batalha foi terrível, mas Maxêncio foi derrotado.
Na fuga caiu no rio Tibre e morreu afogado. Deu-se a vitória no dia 12
de outubro do ano 312 de nossa era.
O
vencedor entrou triunfante
em Roma, com a Cruz à frente dos seus exércitos, e nesse mesmo ano publicou o
decreto que dava paz à Igreja.
No ano 313, entrou este
decreto em ordem solene, estando o imperador em Milão.
Esta aparição do Arcanjo
é narrada por Eusébio, o primeiro historiador da Igreja e contemporâneo de
Constantino.
Segundo o escritor
Nicéforas, mais duas vezes apareceu São Miguel a Constantino. Na segunda
aparição, disse-lhe quanto o tinha favorecido nas batalhas. O imperador
reconhecido mandou edificar na antiga Bizâncio uma nova cidade, capital do
Império do Oriente, com o nome de Constantinopla, hoje Stambul. Esta capital foi
dedicada solenemente a Nosso Senhor JESUS CRISTO, por esta legenda: "A vós, ó
CRISTO DEUS, eu dedico esta cidade".
Nela mandou Constantino
edificar várias igrejas e um templo suntuoso em honra a São Miguel, precisamente
no lugar onde o Arcanjo lhe aparecera.
A terceira aparição
deu-se quando parte dos habitantes da antiga Bizâncio se revoltou contra o
Imperador.
Nicéforas afirma que o
Arcanjo lhe disse: "Eu sou Miguel, chefe das milícias angélicas do DEUS dos
exércitos, defensor e protetor da fé de CRISTO, eu te protejo com a minha ajuda
na guerra que tu empreendes contra os tiranos ímpios. A ajuda dos meus exércitos
foi-te dada".
Mais duas aparições
no Monte Gargano
Dois anos depois
da primeira
aparição do Arcanjo São Miguel no Monte Gargano, quando da invasão da armada do
rei godo Odoacro, São Lourenço, Bispo de Síponto, diocese a que pertencia
Gargano, subiu ao local para pedir proteção a São Miguel que ali pedindo ao povo
que o acompanhasse na oração e no jejum e se aproximasse dos Sacramentos da
Confissão e da Comunhão. Na aurora do dia 29 de setembro do ano 492, estando o
Bispo em oração, apareceu-lhe São Miguel, prometendo-lhe a vitória mas dando
ordens para que não se atacasse o inimigo antes das quatro horas da tarde, a fim
de que o sol fosse testemunha do seu poder. À hora fixada, os sipontinos saíram
da cidade ao encontro dos bárbaros. O céu estava sereno. Mas eis que se ouviu um
grande trovão, uma nuvem espessa cobriu o Monte Gargano. São Miguel desprendeu
dessa nuvem flechas inflamáveis e fez compreender que a tempestade fustigava os
bárbaros que, espavoridos, fugiram em debandada. Estas flechas não atingiram os
sipontinos que perseguiam os invasores até perto de Nápoles.
O Bispo com o povo
subiram à gruta do Arcanjo e todos viram, à entrada, os traços dos pés de um
homem, gravados na rocha, indicando a presença de São Miguel.
Com lágrimas nos olhos,
todos beijaram comovidos estes traços, que eram testemunhas da presença angélica
que os defendera.
A terceira aparição de
São Miguel deu-se deste modo: No dia 8 de maio de 493, São Lourenço, o Bispo de
Siponto foi com o povo ao Monte Gargano, à entrada da gruta, para agradecer a
DEUS, a aparição de São Miguel. Tinha um grande desejo de lá entrar para
celebrar o Santo Sacrifício da Missa, mas por respeito, não entrou.
Como o Papa São Gelásio
se encontrava numa localidade perto, onde fora no seu múnus pastoral, mandou-lhe
emissários a expor-lhe o assunto de transformar a gruta num santuário. O Santo
Padre disse que se devia escolher o dia 29 de setembro, dia da vitória sobre os
godos, para se dedicar a igreja localizada na gruta, fazendo dela um templo em
honra a São Miguel e aos Anjos. Recomendou que se fizessem preces públicas para
conhecer a vontade do Arcanjo. Estas preces foram ouvidas e São Miguel apareceu
pela terceira vez a São Lourenço, Bispo de Siponto, e disse: "Cessa de
pensar mais, decide-te a consagrar a minha gruta que eu escolhi para meu
domínio e que consagrei com os meus Anjos; tu verás os sinais ardentes desta
consagração, a saber: a minha imagem colocado por mim, o altar edificado pelos
Anjos, meu manto e minha Cruz. Esta noite, tu e mais sete bispos, entrareis na
minha gruta para aí rezardes com a minha assistência. Amanhã celebrarás o Santo
Sacrifício da Missa e comungarás com o povo. Haveis de ver quantas bênçãos
espalharei neste tempo."
Tudo se fez como São
Miguel recomendou. Penetrando na gruta, viram a imagem milagrosa de São Miguel
lutando contra lúcifer, o altar armado com uma Cruz de cristal com cinco palmos,
um manto cor de púrpura, símbolo do Amor de DEUS, e no fundo uma fonte
milagrosa. O Bispo celebrou a Missa, deu a Sagrada Comunhão ao povo. Em seguida,
mais três altares foram consagrados na gruta. O Papa mandou então que este fato
passasse a ser celebrado na Igreja Universal no dia 29 de setembro de cada ano.
A Basílica de São Miguel no Monte Gargano, é a única no Mundo que ele próprio e
os seus Anjos consagraram.
Este local é ainda hoje
um dos mais célebres da cristandade e onde se realizam mais conversões e curas
do corpo e da alma. A assistência religiosa está atualmente confiada aos filhos
de São Bento, os monges beneditinos.
Muitos Sumos Pontífices
têm ido em peregrinação a este Santuário, e no mês de maio de 1987, ali esteve
também o nosso Papa João Paulo II.
Palavras ditas por
JESUS CRISTO à
Carmela de Milão, célebre carismática dos nossos dias, filha espiritual do
célebre Padre Pio de Pietrelcina, falecido em odor da santidade, já com o
processo de beatificação em Roma, e que eu tive a felicidade de o conhecer
pessoalmente:
"Invoca muitas vezes o
arcanjo São Miguel que se encontra à cabeça dos 9 coros angélicos, e que o meu
Vigário, pela vontade do ESPÍRITO SANTO, quis estabelecer como defensor da
Igreja.
Dirige muitas vezes o
teu pensamento para ele, porque grande é o seu poder e a sua força. Ele é o
terror dos anjos rebeldes que venceu na terrível batalha dos Anjos bons contra
os maus e que os precipitou no abismo. Ele defendeu infatigavelmente a Igreja
contra as heresias e ajuda toda a alma que o invoque com devoção e amor, a
vencer as batalhas da vida, sobretudo, contra os demônios.
Ele é o Arcanjo da
humildade e alegra-se em ensinar a prática desta virtude aos homens que lhe
pedem.
O seu brado: "QUEM É
COMO DEUS?" que significa o seu nome, é mais adequado para exprimir a virtude
tão necessária da humildade, que consiste no conhecimento da grandeza de DEUS
ante o vosso nada. Pela sua intercessão pede a humildade para todos os homens da
Terra. Reza-lhe não só pela Igreja, mas também por todas as nações, para que ele
de novo traga a paz ao Mundo, onde os demônios vão semeando uma horrenda
carnificina. Estabelece-o como defensor da tua casa, para que ele afaste o
maligno e todos os males, sejam eles quais forem."
http://www.corazones.org/santos/miguel_arcangel.htm#San%20Miguel%20y%20la%20Eucaristía:
Acesse: http://www.cruzgloriosa.com.br/miguel