“Tropa de Elite”
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“É necessário responsabilidade de nossa parte, pois a violência não deve entrar em nossa casa através dos Meios de Comunicação e encontrar eco.... A paz não é utopia, nem é impossível, ao menos que não inicie em nós.” |
Inicio do mês estava no Centro de São Paulo, quando ouvi pela primeira vez em uma rádio local comentários sobre o filme “Tropa de Elite”. Quando vi matérias na TV, Internet, comentários dos amigos, confesso que fui tomado de certo preconceito, principalmente pelo tema violência, pois imaginava que o filme fosse uma apologia à mesma.
Levado pelo entusiasmo daqueles que comentavam, fui ver para crer, e fiquei surpreso, chocado e ao mesmo tempo muito pensativo. É incrível como uma obra de ficção é tão real. Para de ter uma idéia o próprio filme foi vitima da criminalidade, pois em determinado momento das filmagens parte da equipe foi seqüestrada e as armas cenográficas roubadas. Durante a finalização, uma versão inacabada do filme vazou e foi parar na internet e em camelôs. http://www.guiadasemana.com.br
Hoje (17/10) retornando para São Paulo a trabalho, comprei a Revista Veja, para ler sobre o filme, que traz na capa um soldado do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro (BOPE), e em letras grandes o tema bem sugestivo: “Pegou Geral”, e já havia “pego” a mim também. É importante você estar ligado nos acontecimentos a sua volta, pois refletem o pensamento e as atitudes das pessoas, principalmente em casos como este em que falamos de quase uma unanimidade.
“Tropa de Elite, já é o filme mais visto e mais comentado da História do Cinema Brasileiro, é uma obra de ficção, mas retrata uma fidelidade jamais vista como a criminalidade degradou o Brasil de alto a baixo”, afirma Marcelo Carneiro na Revista Veja (17/10/2007), que na mesma edição apresenta “uma pesquisa encomendada pela Revista Veja ao Instituto Vox Populi onde mostra que Topa de Elite caiu no gosto do público, e que oito em cada dez entrevistados dizem que a culpa pela existência dos traficantes é dos usuários de drogas”.
Uma das perguntas: “Você gostou do filme? 94% sim e 6% não” .
Neste mesmo dia (17/10) no final da tarde e por haver ouvido no rádio sobre uma Operação da Policia do Rio de Janeiro em uma das favelas, liguei a TV, para ver como estava o desfecho deste tema: O Jornal da TV cobria ao vivo a operação policial, onde o apresentador exclamava “o que vocês vêem não são partes do filme Tropa de Elite, é real e acontece neste momento”. Policiais e bandidos trocando tiros, e até aquele momento como saldo da tragédia 10 bandidos, um policial e dois civis mortos, sendo uma criança de 04 anos atingida por um dos disparos no momento em que era retirada do local por um policial, que foi alvejado na sua mão pelo mesmo disparo.
A cena era de dar pavor, os policiais corriam pelas vielas da Favela, passando por cima do corpo de um traficante que acabara de ser morto. Confesso que tive o mesmo sentimento de quando assistia Tropa de Elite, fiquei surpreso, chocado e pensativo, só que não era ficção, era a mais pura e triste realidade. E se não bastasse no meio de toda aquela confusão uma senhora de 95 anos foi atingida por uma bala perdida, estava dentro de sua casa assistindo TV, pobrezinha veio a morrer horas depois no hospital, ainda na maca em que havia sido socorrida.
No mesmo horário na cidade de São Paulo, homens fortemente armados tentaram assaltar um banco no centro da cidade, deixando feridos, e a perseguição aos bandidos também estava sendo transmitida ao vivo.
Infelizmente a violência urbana se tornou comum nos grandes centros (e nos pequenos também), basta acompanhar as estatísticas. Agora entendo por que meu Professor de Faculdade, sempre afirmava que o primeiro passo para resolução dos problemas, é a análise das estatísticas, pois a partir daí podemos identificar as causas, sintomas e as incidências dos problemas.
Há alguns anos atrás quando assistíamos jornalismo na TV, não imaginávamos que a situação pudesse chegar aos níveis atuais. Muitas vezes quando me deparava com programas de TV como estes das 18:00hs, que surgiram com força na década de 90, mudava o canal e criticava o sensacionalismo dos apresentadores. Infelizmente creio que não fui o único que fez isso, as autoridades também o fizeram, mudaram o canal, deixaram de lado, ou não fizeram o suficiente e por isso chegamos onde estamos.
Tanto assistindo ao filme “Tropa de Elite”, quando ao jornalismo na TV, que mostra a realidade nua e crua, somos impelidos a buscar e apontar os culpados, e quando percebemos nos deparamos em discussões árduas sobre o tema. Será que tem concerto esta situação? É possível mudar uma situação crônica e terrível? Perguntas não faltam, e respostas não surgem. Onde não há resposta, prevalece á omissão.
É necessário responsabilidade de nossa parte, pois a violência não deve entrar em nossa casa através dos Meios de Comunicação e encontrar eco. A paz será uma realidade quando vivenciada a partir de nós mesmos, e compartilhada na vida comunitária e fraterna. Talvez você diga, “isso é um sonho”. Por certo que sim, é preciso sonhar e desejar um mundo melhor. Grandes homens, com grandes feitos, antes de tudo, foram sonhadores. Podemos até dizer, grandes sonhos, grandes realizações. A paz não é utopia, nem é impossível, ao menos que não inicie em nós. É preciso sonhar, e só é capaz quem pensa não apenas em si e nas suas necessidades, mas quem é capaz de olhar o sofrimento do outro e se compadecer, seja de qual lado esteja desta “verdadeira guerra”.
A criminalidade não é somente fruto da desigualdade social, não se pode ignorar que a maioria dos moradores das favelas são pessoas de bem, assim como temos visto inúmeros casos de crimes oriundos de classes sociais mais abastadas.
Somos tentados a sentirmos vítimas desta violência que infelizmente ronda nossa porta, e por isso nos fechamos em busca de segurança. Primeiro redobramos os cadeados e trancas, compramos cães (tão violentos que as vezes não podemos chegar perto), cercas elétricas, sistemas de segurança, e então ‘dormimos seguros’. Será?
A forma eficaz de preservar e proteger a vida, tanto nossa, quanto daqueles que estão a nossa volta, é nos abrindo ao relacionamento e não nos trancafiando dentro de casa e principalmente dentro de nós mesmos. É preciso lutar pela vida, é preciso sair das nossas “trincheiras”, é preciso deixar esse sentimento de vitima e tomar á decisão de construir uma vida digna, honesta, a partir do trabalho e das conquistas diárias, por simples que possa parecer.
Devemos lutar para cultivar a paz interior, e disseminá-la a nossa volta, a partir de nossa família, nossos amigos, no emprego, faculdade, escola, vizinhos, estádios de futebol, etc. Acreditaremos que o Brasil tem jeito, acreditando que cada um de nós tem jeito, se esforçando para ser melhor a cada dia.
É tempo de romper com toda espécie de corrupção, por mais simples e pequena que possa parecer, temos que cultivar uma consciência clara de nossos direitos e deveres. A ética e os bons costumes devem reger nossas vidas, e se temos dificuldades em viver desta forma, é porque nos falta uma religiosidade que nos leve a vivência destes valores. Pense nisso, converse com as pessoas, em especial de sua casa.
Vamos começar bem a semana, fazendo nossa parte, e se você sentir vontade de assistir “Tropa de Elite”, faça-o, mas vá ao cinema, não seja tentado a se corromper com o DVD pirata. Isto já é um passo, aliás, vá de passo em passo: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu Senhor” (Mateus 25,23).
Ah! Na pesquisa faço parte dos 94%, um forte abraço e se desejar escreva-nos: contato@projetocrescer.net
Alexandre Faria – Presidente da A.A.C.A. Projeto Crescer
www.projetocrescer.net