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O Número Um

01/06/2007

Caro “Internauta”, que bom que você parou por aqui! Este artigo é “o número um”, espero, de outros tantos que venham. Vou ser breve: gostaria de saber onde encontro um “manual para pais” ou “para filhos”? Depois de muito navegar pela Internet, de pesquisar em livros, consultar os amigos, não descobri onde se encontra os desejados manuais. Há Procedimentos e Manuais para tudo, exceto “para pais e filhos”.

Confesso ao amigo que nunca fui de ler manuais, estes típicos que acompanham os aparelhos de som, televisores, automóveis, celulares, etc. Vou lê-los quando o equipamento der algum problema, ou se necessitar descobrir uma nova função.

E por falar em problemas, por isso é que estou procurando onde encontro um “manual para pais e filhos”? Como é difícil a arte de ser pai ou mãe.

Hoje além dos meus filhos, nós nos propomos a auxiliar na formação e educação dos jovens através da Associação Projeto Crescer (site: www.projetocrescer.net), e aí você imagina, por que estou  o meu pedido de socorro!

 Hoje é muito comum se ouvir principalmente dos mais antigos: “no meu tempo os filhos respeitavam os pais” ou, “antigamente os filhos eram mais educados”, “aqueles tempos é que eram bons”, e assim vai...

Fomos educados em um modelo relativamente rígido onde nossos pais se apresentaram como donos da verdade, infalíveis, onde procuravam impor ao invés de expor suas idéias e vontades a respeito do que era melhor para a vida de seus filhos.

Como exemplo, recordo-me de que meu pai sempre se apresentou como uma pessoa muito firme e decidida, “macho mesmo”, e se orgulhava muito disso, pois era o modelo da época. A única vez que ouvi meu pai chorar, foi após o sepultamento de meu avô, quando ele tomava banho, e sozinho pôs-se aos prantos. Homem não chorava, e se chorasse devia ser ocultamente, se não exporia suas fraquezas e isto não poderia jamais, crescemos ouvindo “que nossos pais tinham sempre razão”. Não podemos criticá-los, pois nos amaram muito e acreditavam que este era o melhor modelo de educação.

Crescemos e então descobrimos a fragilidade e a falibilidade de nossos pais, os enganos, que se acentuaram ainda mais em nós quando nos tornamos pais. E agora o que fazer?

Os pais de hoje desejam, como seus pais, educarem seus filhos de maneira perfeita, principalmente para que possam ser os melhores, aqueles que possam estar no topo do “podium da vida”, vencedores sempre.

E para isto se esforçam, lutam, dão o melhor de si, trabalham horas e horas, a ponto de colocarem todo esforço possível de suas vidas para que possam ter os meios necessários para financiar o sucesso de seus filhos. Vivemos a “síndrome do número um”, onde é passado para eles que “tem que ser o melhor”, “tem que ser o primeiro”, “tem que chegar sempre na frente”, “levar vantagem sobre os demais”, etc.

Mudaram os costumes, passou o tempo, estamos informatizados, na era da comunicação, mas em termos de educação dos filhos, mantém-se o mesmo padrão.  Antes nossos pais não podiam falhar, eram os donos da verdade, agora nós pregamos para nosso filho, “que eles têm de ser os melhor, o maior, o número um”, e isto sempre, caso contrário não conseguirão espaço neste mundo da competição globalizada.

E aí como fica a cabeça deles? Seus avós falharam, pois seus pais falham! E por que nós pais falhamos, não temos coragem de sentar com nossos filhos, de nos colocarmos como modelos para eles. Sentimos inseguros e fugimos através do excesso de atividades e compromissos, que quando não são os de nossa parte, são os que nós já impomos para nossos filhos, através dos cursos e atividades que precisam desenvolver desde a primeira infância para serem o “número um”.

Olhando a nossa volta percebemos que não é possível ser o “número um” sempre e a todo instante, o mundo não é feito de “números um”.

Devemos ensinar para nossos filhos, que eles devem sempre dar o melhor de si, com honestidade, simplicidade e vontade de vencer. Devem determinar para si mesmos que são felizes e, portanto vencedores. São livres para escolherem o que querem ser e como querem. Que o mais importante é o ser e não o ter, pois o ter é passageiro, o ser é eterno.

Gostaria neste espaço, estar questionando e  formando uma  mesa redondo entre nós e principalmente dentro de nós, pois é importante questionar sempre e ter espírito crítico com tudo o que nos apresentam e também conosco mesmo.

Na verdade, o Manual de que precisamos para sermos pais e/ou bons filhos, está escrito dentro de nós, dentro de nossos filhos, e serão lidos, escritos e descobertos a partir de uma relação franca, amorosa e sincera com eles.

O grande modelo e exemplo de pessoa humana a ser seguido para alcançarmos este objetivo é Jesus Cristo, pois não só Ele descobriu o Manual que tinha dentro de si, como o revelou para todos, como a maior novidade de todos os tempos. Você pode até não acreditar N’Ele (Jesus), mas se for sensato com certeza irá buscá-lo como exemplo a ser seguido para todas as relações humanas. Ele nos deixou a única forma eficaz de educar, ou seja, através do exemplo, ele foi sempre “O Número Um”, pense nisso!

Este simples artigo na verdade “dá muito pano para manga”, meu desejo é de trocarmos experiências. Vamos juntar os “panos ou retalhos de nossas vidas e formar uma saudável e feliz colcha de nossas experiências, e assim chegaremos juntos ao ideal de sermos bons pais e bons filhos, onde com certeza  não seremos o “número um” sempre, mas  seremos o “número um” uns para os outros, que é o que realmente importa.

Dedico este espaço que me foi cedido a minha esposa Rosangela, à meus filhos Rafaela e João, e a você meu amigo, que deseja o mesmo que nós: equilíbrio para viver em paz e harmonia neste mundo conturbado, pois aí está resumido o sentido da palavra felicidade. Nos falamos na próxima semana, ou se preferir pode escrever...

Alexandre Faria – Presidente e Fundador da A.A.C.A. Projeto Crescer

Comente: contato@projetocrescer.net